segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Onde é que assino?

bandos de palavras esvoaçam. trazem-te, levam-te  e trazem-te outra vez.

abres-te chorando até te fechares na noite. enquanto bebemos tanto quanto conseguimos festejo contigo o nosso encontro e tu tentas distrair-te a contar-me aventuras,  torturas, tonturas, como aquela do fetiche por pés,  a outra que te pôs sob vigilância a que te seduziu em menos de nada e te traiu com desculpas.

a cada brinde engulo os meus beijos que são teus, quase me engasgo e o tempo esvai-se  num devaneio a mordiscar-te os dedos  a cobrir-te de gotas  de amor imaginário, de gatas em sentido figurado, ou talvez não.

vou-te lendo as tatuagens,

procurando ignorar a pele que há por baixo

e respondo-te omitindo parte do que sinto

enquanto te vejo florir e murchar entre confidências,

a pensar em círculos

na dilacerada paisagem de quem levou mais uma sova

por que não esperava.

testa franzida, boca descendente, olhos tristes tristes

a fazer três lutos de uma vez.


nem acredito que alguém te devolveu.


para te trazer eu ao peito,

te reacender o sorriso, 

o corpo, o viço,

onde é que assino?