quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Eterno Retorno

de novo o horror nos apouca.

doidos nos comandos 

pilhas de ódio

indiferença

uma dúzia com tanto 

quanto quatro mil milhões.


e no entanto continua a chover e a fazer sol 

as mesas a encher-se a horas mais ou menos certas

os aviões a descolar e o povo nas filas, 

feio e torto e sem esperança. 

noites a suceder a tardes a suceder a manhãs

e costas a doer, corações a zunir, vontade de gritar.


para onde vamos pouco importa

se afinal a memória nem uma geração dura. 

também a juventude se extingue, 

num ápice reduzida a carne flácida 

diante da nossa pressa travada pelo colesterol.


o mundo que recebemos 

olhava para as nuvens 

mas era baixo, mal nos dava pela cintura.


o que deixamos dirá o mesmo de nós.


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