avançavas apressadamente para lugar nenhum e eu arranquei-te a desolação da alma e a droga dos bolsos das calças.
num instante de brilhante demência, cosi asas aos teus ombros, colei desejos túrgidos ao teu cérebro e tatuei botas de couro nos teus pés.
tu caminhaste para mim com um gesto de fuga a serpentear-te nos braços e um sorriso quase heróico no rosto.
confio-te os meus dias, disseste.
e eu disse: limpo o pó às tuas noites.
puxei as persianas das janelas, cobri a tua fome com papel de parede às riscas, acendi o pavio do teu coração desconexo com versos de lume esculturais.
e conduzi-te à minha oficina para te refazer.
hoje vou vender-te em leilão. já vales tanto como um matisse.
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
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