corre de feição este vento de amor possível
a desatar nós à memória,
a fibrilar o algodão das nuvem cinza
para que perdure,
a soprar açúcar (colado aos dentes
ao ouvido deste animal desvairado que
(repetidamente
marra de frente
(sem guia
contra os muros do tempo.
avança de feição este vento
(exactamente
para onde deve ir,
exactamente
à medida
da silhueta do meu desejo
desenhada na tua pele.
voa de feição este vento de imodesta vontade,
vai sem alarme pelas margens da ternura
a despejar canções sobre os meus dedos
e a beijar-me a nuca de brisas solares
(como essas que à noite me entregas
na almofada virada a oeste,
alinhada com a janela dos autocarros
mas falta (talvez
delicadeza ao mundo
para segui-lo,
tomá-lo nas mãos e dividi-lo
(como pão
pelos dias magros da cidade.
morre-me (pois
de feição outro vento
recortado no espelho
à imagem do que não és.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
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