antes de ouvir a tua voz, ouvi-te pensar, embebida em cândidos sorrisos e soluços difíceis.
antes de tocar as tuas mãos, senti-as nas minhas, enlaçadas pela corrente da escrita.
antes de ver os teus olhos, vi-os nos meus, num reflexo de luz branca.
já tinha visitado este país de palavras cruzadas, vibrado e definhado sob este luar que queima, neste brilho solar que assombra, com esta mesma névoa onírica a cercar-me num abraço imobilizador e a travar-me a marcha rumo ao sossego.
mas reparo que tudo nele mudou.
porque nada se repete,
nem a mais pequena sílaba sibilina,
neste país renovado a cada página,
onde nenhum coração pode ser domesticado,
onde não há dor que eduque nem alegria que liberte.
inventa-me diamantes que sangram, dizes.
não sei senão sentir, digo eu.
aqui todos os caminhos vão dar ao remanescente das nossas vidas. recomecemos do princípio.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
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