terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Neste país

antes de ouvir a tua voz, ouvi-te pensar, embebida em cândidos sorrisos e soluços difíceis.
antes de tocar as tuas mãos, senti-as nas minhas, enlaçadas pela corrente da escrita.
antes de ver os teus olhos, vi-os nos meus, num reflexo de luz branca.

já tinha visitado este país de palavras cruzadas, vibrado e definhado sob este luar que queima, neste brilho solar que assombra, com esta mesma névoa onírica a cercar-me num abraço imobilizador e a travar-me a marcha rumo ao sossego.
mas reparo que tudo nele mudou.
porque nada se repete,
nem a mais pequena sílaba sibilina,
neste país renovado a cada página,
onde nenhum coração pode ser domesticado,
onde não há dor que eduque nem alegria que liberte.

inventa-me diamantes que sangram, dizes.
não sei senão sentir, digo eu.
aqui todos os caminhos vão dar ao remanescente das nossas vidas. recomecemos do princípio.

3 comentários:

Tríade Aumentada disse...

Se nada se repete, nada se poderá recomeçar. Será?

Abraço a triplicar.

Berta Cem Mil disse...

Está bem visto, Tríade...
Por isso pode haver recomeços que são começos... porque tudo é sempre novo.

Beijo ao cubo.

Spectrum disse...

Temo que reinventar Portugal seja uma impossibilidade. estamos condenados a um D. Sebastião desaparecido em terras de Álcacer - a fumar haxixe? - que nunca volta.
Definhamos a pensar um recomeço que não acontece. Mais do que um país adiado, é um país sem viabilidade.
Abraço