quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O embuste

tinhas os olhos sem sorriso da garbo em frente à cama, a grão e sépia, sob vidro anti-reflexo.
era para eles que te despias, de costas para mim. para eles que te deitavas e sorrias. por eles que suspiravas às esquinas da vida.
como podia eu competir com aqueles olhos imortais e sem idade? eu, toda de carne e todos os dias a caminho da morte? eu, toda sorriso virado para fora? eu, toda imperfeita e humana e em permanente mutação?
a minha existência em ti é um embuste, disse.
és o meu ser no mundo, disseste tu.
e apagaste a luz e deitaste-te ao meu lado, como todas as noites.
e tapaste-me a boca com beijos, para que me calasse. e tomaste o meu corpo como se fosse um prolongamento do teu.

no escuro, embrulhei as minhas dúvidas na tua pele.
e resumida ao tacto fui tua mais uma vez.

6 comentários:

Narcisa disse...

Deste gostei assim muito muito muito! Até mereces beijos :P


Da tua Lolita.

Berta Cem Mil disse...

pensei que merecia sempre beijos, minha querida Lolita, mesmo quando me porto mal... ou às vezes merecia uns açoites???
obrigada. e beijos para ti.

Narcisa disse...

Ora...

Vem tudo no pacote. beijos, açoites e... :)

Anónimo disse...

Parabêns pela escrita notável que tem. Gostei essencialmente pelas sensações que fluiram enquanto lia cada post escolhido ao acaso.

E...muito obrigada pela "mensagem" vinda da chuva! Fez-se sol uns dias depois...

Berta Cem Mil disse...

Cara anónima, obrigada eu pelo elogio, e ainda bem que se lhe fez sol: é quentinho como mais nada.
(adoraria conseguir identificá-la)

Anónimo disse...

:)
Cara berta cem mil, obrigada pela sua resposta e pela exposição sincera da sua curiosidade.
(identifica-me apenas seguindo o seu instinto)