quinta-feira, 12 de julho de 2007

Âmbar

de peito em lava, monto uma pirâmide alada e vou cumprimentar as estrelas. faço corridas com os cometas e celebro a tua música curvada sobre o meu umbigo enquanto apago o teu rosto desta galáxia.
foste o meu fôlego, a minha guerra, a eternidade imóvel do meu abraço. e tornaste-te uma pequeníssima poeira na voracidade enxuta dos meus olhos.
hoje declino o teu desvelo, nego a tua mão. não quero que me salves dos dragões cuspidores de fogo que trago no âmago.
prefiro arder com os meus murmúrios neste longo sono envenenado de pranto.
o amor morre na sede, digo.
bebe-me, dizes tu.
e eu humedeço os lábios com a língua e pigarreio uma vez. depois telefono para casa e entorno-te no tapete, muito lentamente, até te misturar por completo com o entrançado têxtil da decoração. como se voltasse a desenrolar o teu corpo de búzio, colorido e gasto, sobre o âmbar da terra.

4 comentários:

lamia disse...

"prefiro arder"...
As cinzas não ardem. :)

Frambú disse...

és tão surreal. . .
gosto muito

(e sim, sou muito básica)

bisou *

Berta Cem Mil disse...

lamia: pareço-te em cinzas?

frambú: não és básica; ou não gostarias...

lamia disse...

Algum do conteúdo das tuas palavras me parece em cinzas, sim. Pedaços de sonhos queimados vezes sem conta. Até porque a cinza é o melhor fertilizante, e a tua arte floresce.