terça-feira, 20 de novembro de 2007

Senso comum

dormes como uma ave de rapina, em alerta.
ages sem maquilhagem e mentes para ganhar o mundo.
não és o que sonhei mas és um sonho meu.
e vives comigo.
lá fora arrefece.
a chuva caminha lentamente pelas nossas madrugadas. as minhas insónias no terraço desaparecem, o teu espesso fulgor desfaz-se em espuma.
dezembro é já ali ao fundo e eu decido escrever-te.
procuro a waterman mas paro no teu quarto para rever aquela paz que de noite te sobe ao rosto e esculpe rugas doces junto às tuas têmporas.
a minha presença acorda-te mas não te demoras nos meus olhos.
neste momento à beira do inverno és só um sorriso de passagem.
e queres voltar à gruta dos sonhos.
amo-te muito, dizes.
e eu digo:
o amor não tem medida.
ou amas ou não amas. e é tudo.
mas tu já adormeceste.
sei que vais continuar a amar-me muito. até me arruinares.
preferia que me amasses por muito tempo, apesar das minhas arestas.

3 comentários:

Vertigem disse...

Berta no seu melhor! As singelas são, sem hesitar, as mais profundas.

Um beijo de cá...:)

L. disse...

Creio que já nos "vimos" por aí... Estarei errada?

Berta Cem Mil disse...

Cara l.
Como posso saber se já nos vimos? É possível, tudo é possível. Mas dava-me jeito saber quem és para te responder...
Volta sempre, de qualquer modo.