sábado, 27 de outubro de 2007

Ascensão

eu podia ser o teu ringue de patinagem, o teu anjo, o teu falcão. entrar dentro do teu cérebro como uma ária de wagner e atravessar escalas, do rumor ao grito.
podia ser um suspiro de luz na tua noite, um sonho de laranja dentro das tuas tardes, uma harpa ajoelhada às tuas manhãs. e comprar-te ociosos domingos todos os dias.
mas não podia ser a tua pele.
nem a tua voz.
o teu peito inflamou-se quando soubeste a verdade.
descobriste as cores breves do meu mundo a rodopiar em espirais cruzadas nas planícies dos cometas e voltaste a desejar que te vestisse, que cobrisse a tua carne com o meu engenho e te deixasse falar pela minha boca.
mas não tornaste a pedir o impossível.
guardaste o relevo dos meus sinais na ponta dos dedos e olhaste-me de rosto inclinado para sul, sem sorriso, íntimo ao escarlate das chagas do tempo.
e então disseste: conheço um atalho para o teu coração.
e eu disse: em júpiter respiramos amor.
estendi-te a mão e ascendeste comigo.

1 comentário:

TL disse...

está: maravilhosa|
tenho: saudades|
fiz: sorrisos|
culpo: -te|