de novo o horror nos apouca.
doidos nos comandos
pilhas de ódio
indiferença
uma dúzia com tanto
quanto quatro mil milhões.
as mesas a encher-se a horas mais ou menos certas
os aviões a descolar e o povo nas filas,
feio e torto e sem esperança.
noites a suceder a tardes a suceder a manhãs
e costas a doer, corações a zunir, vontade de gritar.
para onde vamos pouco importa
se afinal a memória nem uma geração dura.
também a juventude se extingue,
num ápice reduzida a carne flácida
diante da nossa pressa travada pelo colesterol.
o mundo que recebemos
olhava para as nuvens
mas era baixo, mal nos dava pela cintura.
o que deixamos dirá o mesmo de nós.
