segunda-feira, 21 de maio de 2007

O princípio

trazias nos olhos uma solução para a realidade, nas mãos todos os sentidos aglomerados e uma pista para a fantasia na costura das calças descaídas.
contemplei o teu rosto de perfil, demoradamente mas sem notar o precipício que nele começava, abrindo-se no ar abstracto à tua volta, até terminar no teu sexo.
três segundos bastaram para revestires de azul a mais funda cicatriz da minha memória, para recurvares o céu e extinguires a minha sede tão antiga como o muro da estação.
o amor falava através da tua pele, como se fosse novo, por estrear. desenhava um incêndio nas minhas lágrimas e tomava o espaço em falta do meu ser. então rasguei a carne e deixei-te entrar.

4 comentários:

indigo des urtigues disse...

Gosto de te ler :)

Continua!

Berta Cem Mil disse...

obrigada, claro que continuo... já que isto me nasce, porque não partilhar?

D'Jane disse...

Fico contente por a tua escrita ter voltado a sair da complexidade estética do teu ser! Pensava que já tinha(mos) perdido esta capacidade de transcedência...mas tu recuperaste-a e eu, ao ler, voltei a ter 18 anos outra vez!!

Gosto muito mais do que da tua ficção narrativa.

Este foi o meu preferido dos que tens aqui no blog.

Berta Cem Mil disse...

d'jane? lol.
ainda bem que gostas, é sempre bom cativar os amigos, seja lá por que razão for...
mas será que estás a dizer-me que voltei à adolescência? é que não sei se será muito saudável...
saudações liceais, com muitas músicas dentro. e uns copitos, porque não?